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Erliquiose Canina Prezado Colega:
A partir desta discreta contribuição, passaremos mensalmente a fornecer a você, pequenas notas sobre os grandes problemas que afligem nós veterinários, no dia a dia da clínica médica e, muitas vezes, ficando o diagnóstico somente baseado nas suspeita, sendo o caso tratado como tal, e muitas surpresas desagradáveis podem ocorrer. Iniciaremos nossa colaboração com o título em epígrafe. A erliquia pertence à família Anaplasmataceae, família esta profundamente estudada e cuja taxonomia para alguns gêneros mudaram o que não é o caso do relato em tela2. Trata-se de um grupo de pequenos cocos, gram negativos, pleomórficos, intracelulares obrigatórios, que infectam o sangue de várias espécies animais, inclusive o homem (E.chaffeensis, A.phagocytophilum, N.sennetsu). 1,2 A erliquiose é primariamente transmitida pelo carrapato (Rhipicephalus sanguineus) conhecido também como carrapato marrom3. A doença pode manifestar-se através de três fases, a saber: aguda, sub clínica e crônica. Trata-se de uma doença multissistêmica, cujos sintomas clássicos normalmente são: depressão, letargia, perda de peso, anorexia, com ou sem tendências à hemorragia; quando a hemorragia está presente, apresenta-se sob a forma de petéquias, equimoses, ou ambas. Nota-se também a presença esporádica de epistaxis. Evidencia-se ainda a presença de uveite, polimiosite, poliartrite, esplenomegalia, linfoadenomegalia, além de alterações no SNC, traduzidas por: convulsões, ataxia, alterações vestibulares, além de disfunção cerebelar 1,4. Os achados laboratoriais encontrados são: trombocitopenia, com discreta anemia não regenerativa, embora alguns animais infectados possam apresentar plaquetas em número normais. A pancitopenia pode ser observada em casos severos decorrentes da hipoplasia medular principalmente em células precursoras. A presença de linfocitose pode confundir o clínico com leucemia4. Alguns achados bioquímicos encontrados são: hipoalbuminemia, hipergamaglobulinemia, aumento da FAL e das enzimas de necrose hepática em alguns casos5. Existem várias maneiras de se diagnosticar a doença entre as quais a presença da mórula intracelular, o que não ocorre com freqüência, a determinação de anticorpos séricos através da imunoflorescencia (IF), onde os mesmos aparecem após 7 dias da infecção, mas alguns mostram positividade após 28 dias de infecção. Alguns animais podem apresentar sinais clínicos antes da soropositividade no teste acima referido, ou seja, podemos ter uma IF negativa e o animal estar doente. Quando o título para este teste for < 1;80, o animal é considerado suspeito e o exame deve ser repetido após 2 a 3 semanas Existem reações cruzadas com várias espécies de erliquia4. Outras provas podem ser feitas como o PCR, Western Immunoblot, mas ainda de custo alto para a grande parte da nossa população. Como se vê, sempre na clínica deve-se aliar a sintomatologia ao diagnóstico laboratorial. Sabemos que a rapidez, facilidade e confiabilidade no método de diagnóstico é fator preponderante para a instituição imediata do tratamento ou estabelecer-se um diferencial com outra doença. Um dos métodos de diagnóstico mais rápidos e confiáveis (cujo título detectado é de 1:100 ou maior)4 é o SNAP 3Dx, IDEXX Laboratories, Inc, teste este que apresenta 99% de sensibilidade e 100% de especificidade. Durante a minha vida na Clínica Médica deparei com várias situações onde o tratamento foi instituído e não era erliquia (trombocitopenias, linfocitoses, anemias, etc. de outras origens) e casos em que a erliquia foi encontrada por acaso no esfregaço, pois a sintomatologia era inespecífica como podemos notar na apresentação acima. Por experiência sei que o proprietário quer uma resolução rápida, e hoje em dia sabe-se que quando levantamos uma suspeita ao cliente, o mesmo estará ao par inclusive dos meios de diagnóstico e tratamento graças às informações eletrônicas disponíveis com facilidade. Acredito que com esta ferramenta em nossas mãos (SNAP), podemos junto ao quadro clínico e é claro, aos exames complementares documentar bem a nossa suspeita e termos um sucesso no tratamento. Muitas vezes o exame clínico é positivo para erliquia, mas não se encontra a mesma no esfregaço, embora muitas vezes trata-se o caso só pela sintomatologia, sem documentação alguma, fato este arriscado, normalmente nos dia de hoje como foi dito acima. Toda e qualquer suspeita deve ser provada , e nada como exames diagnósticos para tal fim. Professor Doutor Milton Kolber REFERÊNCIAS 1 BOCKINO, L.; KRIMER, P.M.; LATIMER, K.S.; BAIN, P.J. Veterinary Clinical Pathology Clerkship Program: An Overview of Canine Ehrlichiose. http://www.vet.uga.edu/VPP/clerk/Bockino/ 19k. Acessado em 2 de Janeiro de 2009 às 14:41. 2 New Taxonomy of Family Anaplasmataceae. http://riki-lb 1.vet. ohio-state.edu/ehrlichia/background/ehrlichiaspp.php.Acessado em 2 de Janeiro de 2009 às 17:00. 3. ETTINGER, S. J.; FELDMAN, E.C. Textbook of Veterinary Internal Medicine: Disease of the Dog and Cat.v.1, 5ª ed. W.B. Saunders Co., Philadelphia, 2000, pp. 402-406. 4. NEER, T.M.; BREITSCHWERDT, E.B., GREENE. R.T.; LAPPIN, M.R. Consensus Statement on Ehrlichial Disease of Small Animals from the Infectious Disease Study Group of the ACVIM. Journal of the Veterinary Internal Medicine.v. 16, 2202, pp.309-315. |